366º Poema da Semana | 05mai2025

 

Se aqui entrasse, ergueria a mão:
damascos, nozes, frutas secas,
o coração endurecido,
corpo virado do avesso.
A mente é rápida – a carência,
um predador.
Debaixo dos cabelos
outra vez é noite de abate.
A presença que salva,
onde?
Os ritos que se ensaiam,
quando
encontrarão o campo aberto?
Farinha branca, fitas amarelas.
Alguma coisa em mim caminha,
noite após noite,
ao seu destino.

*Paulo Franchetti_1954-_Deste lugar_2012