1. – VI
(…) Que não tem a palavra está morto, foi o que Iñe-e e os outros aprenderam. Os mais velhos mascavam a palavra nas folhas de hiibii, a coca, e os mais jovens esperavam que chegasse a sua vez de mascá-las e receber, a linguagem do sumo das folhas. Porém, para Iñe-e, o certo é que esse tempo não chagaria nunca. Colocada em uma fila com os órfãos de povos inimigos, de nada adiantaria os pedidos e lamentos da mãe, a briga do avô em sua defesa. Iñe-e foi levada, e a mãe ficou para trás como um bicho tristonho, cabisbaixa e andando em círculos. O avô se entristeceu de morte. Tsittsi se embrenhou na floresta. Sabiam que nunca mais voltariam a ver a menina. Iñe-e se tornaria presa do desconhecido. (…)
*Micheliny Verunschk_1972-_O som do rugido da onça_2021